Da Inteligência Emocional à Superação Emocional


Daniel Goleman integrou os conceitos e a prática da Inteligência Emocional. Suas pesquisas revelam que 85% do êxito de um líder é dependente da Inteligência Emocional (IE), comparado ao Quociente de Inteligência (QI). Esse saber da gestão dos relacionamentos e a tradução disso tudo em “Competência Emocional” (CE) são fundamentos vitais para uma vida humana e o enfrentamento dos seus obstáculos e oportunidades ao longo do caminho. Mas, se já dispomos de um arsenal galático de conhecimentos e de boas práticas, por que não conseguimos dar legítimos “saltos” na evolução da sociedade e no engajamento de pessoas numa missão íntegra, como por exemplo num digno trabalho empresarial, na governança pública, ou mesmo no voluntariado comunitário?

Os laboratórios de neurociência, como o de Richard Davidson, utilizando softwares e poderosos investimentos computacionais, nos mostram, por outro lado, que existe uma “gênese neurônica”. Que nossos cérebros são potencialmente recriados a cada dia, com o nascimento de 10 mil células novas, que são partidas em duas. Uma dessas partes vai continuar a procriação, gerando novas células. E a outra parte, segue destinada a ir onde existem novidades para aprender. Ao longo dos 4 meses seguintes essa nova célula bipartida vai formar cerca de 10 mil conexões com outras mais, criando assim um novo “cluster” neural.

A neurogênese e os nossos cérebros remodelados e aparelhados para aprender são dados científicos espetaculares na via da eliminação das dúvidas de que podemos progredir e evoluir, numa velocidade extraordinariamente maior do que nos acostumamos no passado. Mas como um líder, gente de RH , profissionais, filhos, pais, educadores, você e eu fazemos para incorporar esses conhecimentos fartamente disponibilizados?

Toda a questão está no poder químico da vontade, que é o passo da alavanca. Para isso, na velocidade do mundo contemporâneo, a inteligência por si pode ser lenta demais, no tempo de uma vida. Inteligência como capacidade de adaptação às mudanças, numa perspectiva clássica evolucionista de Darwin, pode ser útil para a natureza na velocidade do planeta, mas insuficiente para a raça humana na velocidade do cosmos. A barreira da velocidade do som foi quebrada em 1947 pelo piloto Charles “Chuck” Yeager, superando a marca dos 1.226 km/h. Hoje sabemos que para explorar o desconhecido do universo a velocidade da luz é insignificante. Precisamos acelerar e quebrar os 300 mil km/segundo, caso contrário não ultrapassaremos a área de serviço da nossa morada terrena. Existe algo mais veloz do que a luz? Sim, o pensamento pode ir ao vácuo do universo ainda não criado e retornar para você na velocidade do “instante”. E nessa viagem podemos também realizar a Superação Emocional. Como?

São 4 áreas fundamentais que precisam ser acessadas. A primeira é todo o ensinamento de Goleman. Somos seres humanos, pensamos, podemos e devemos aprender a pensar. O mostrar para uma pessoa como será o futuro, seja de uma profissão, de uma carreira, de uma formação. Sabemos agora que o presente passou a ser o resultado do futuro, e não mais o contrário. A Inteligência Emocional, pela própria lei da natureza, revela a inevitabilidade da lei da ação e reação, de causa e efeito. Prova que empatia, confiança, adaptabilidade, otimismo, servir, inspirar, influenciar, trabalho em equipe, colaboração, compreensão de suas forças e fraquezas, formariam um belo escopo de progresso humano, se fosse simples e fácil, como em inglês se diz: “first, get committed”. Ou seja, mobilize todas as suas motivações e engaje pessoas na convicção das mudanças.

Para o tal comprometimento, adentramos a necessidade de atuar com “fé”. Sem tratar aqui de fé religiosa, mas a “fé” como ausência de dúvida. E, nesse sentido, estabelece-se uma luta entre os nossos acervos neurônicos, nosso cérebro antigo, com as tais das 10 mil células novas diárias, nascidas, bipartidas e destinadas umas para a reprodução, e as outras para aprender o que o cérebro precisa aprender na missão de uma vida. O desafio nas organizações hoje reside no adquirir novas competências e saber cooperar. Esse esforço tem como barreira a luta entre o cérebro velho, que ao dominar as emoções impede que a nova geração neurônica fique aberta ao novo, obliturando os “babies neurônios” ansiosos por aprender. E, muitas vezes termina por ensinar às novas fontes nascentes mais do mesmo: a repetição do antigo. A dificuldade será discernir o antigo útil do antigo nefasto.

Algo pode ocorrer na última hora da vida de uma pessoa que transforma todo o seu existir em algo imensamente feliz, mesmo que tenha sofrido revezes e insucessos; ou no oposto, num último minuto de vida uma revelação, uma gigantesca frustração, infortúnio, poderiam revelar uma angustiante infelicidade. O problema nestes segundos e primeiros passos é exatamente o de não podermos contar com profissionais e pessoas preparadas para atuarem e agirem com a tal da ausência da dúvida e ao mesmo tempo buscar modelar, imitar, atrair e considerar novos padrões mentais. O desafio estaria hoje na mesma proporção do de superar e quebrar a velocidade da luz. Para cuidar dos cérebros antigos: métricas, desenvolvimento, educação, processos revisitados e revisados, clima, ambiente e muito suor. Mas não chega, não conseguiremos com isso a superação das emoções.

Para nosso auxílio existem duas forças adicionais. Uma que devemos acessar ludicamente. Por ser gostoso, agradar nosso cérebro, essa força redunda em extraordinários progressos. E a quarta força, independe da nossa vontade, mas de todas as probabilidades é a maior de todas, trata da lei da incerteza, do acaso e da imprevisibilidade. Essas duas forças permitem ganharmos tempo, darmos saltos substanciais e de pensarmos na superação das emoções (SE).

A terceira área significa criar um campo para proteger as 10 mil novas células criadoras que invadem nosso cérebro diariamente. Por exemplo, o seu cérebro antigo pode ter sido treinado a fazer alguma coisa que não se conecta com seu dom, seu prazer, sua alma. Dessa forma há sempre uma falta de sentido no que você faz, um desânimo e desmotivação. Dessa forma, nada tende a progredir, as coisas costumam não dar certo, e como você não gosta intimamente, não consegue nem saborear e perceber o que seria um forte motivo de êxito e de orgulho naquela circunstância da sua vida. Na luta da superação, o que fazemos em paralelo ao esforço para vencer a dificuldade enfrentada, será ao final desse processo extremamente mais vital na nova vida que vai renascer, do que tudo o que fizemos no enfrentamento do presente a ser superado. Nas grandes lutas da superação não basta superar o trauma, a dificuldade enfrentada e vencer, aquilo em si mesmo. O que aprendemos de novo, e fazemos enquanto nos “curamos” é o que pode nos dar felicidade na vida próxima que iremos ganhar ao final de um processo.

Quer dizer, não podemos fazer uma coisa por vez, precisamos atuar com uma “multiplataforma” de ações. E, dentre as quatro áreas, está a do “brincar”, a do fazer algo de imensa satisfação para sua vontade, é onde poderá se instalar o grande salto da superação emocional da sua vida. No ambiente corporativo moderno falamos muito do “life balance”, da “qualidade de vida”, do “intraempreendedorismo”. E mesmo no passado mais distante, no estilo das lideranças tradicionais, a caça, os jogos, as lutas, as danças, os rituais, sempre ofereciam o espaço para essa terceira via criadora cerebral. A música representou para mim a salvação dos meus neurônios novos, que nasciam para aprender enquanto eu passava pelas provações da queimadura facial. As aulas e o prazer de ser um professor, em paralelo a minha carreira executiva, criavam o espaço potencial para a vida de um novo aprender, enquanto vivia os embates e os dramas dos teatros corporativos. E, hoje, a satisfação de um doutorado, na árera das ciências da educação, me permitem brincar de “estudante’, em paralelo aos compromissos das palestras e consultorias, realizadas com o acervo de um cérebro antigo que precisa aprender a aprender todos os dias.

O que desejo compartilhar e insistir veementemente com você é que é preciso manter um campo fértil para que o seu cérebro renascido diariamente possa vingar, progredir e aprender a aprender, ter a possibilidade das SE’s: Superações Emocionais. Seria como: “a vida legal é aquela que aprendemos enquanto vivemos a vida que vamos vivendo!”

A quarta área está num campo inacessível, onde sorte e azar se misturam. É quando um segundo a mais ou a menos muda seu destino. Um querido amigo empresário muito bem sucedido e feliz, já com mais de 80 anos, tendo criado sucessores, sendo admirado e respeitado, afirma: “Sempre tive o meu anjo do meu lado”; é O Zé Ribeiro, da Terrena. Outros nomes chamam a atenção, como: o Alexandre da Cacau Show, o Ary da ASPR, o Herb e o Patrick da Caliper, o Nishimura da Jacto; o Ney da Agroceres; o Maestro João Carlos Martins; Dona Jô Clemente da APAE, e outros como o Bill Gates que recebeu aquilo que o Kindall, dono da Digital Research na Califórnia não quis, ou o Pelé que agradece ao Sabuzinho, filho da cozinheira por não o ter deixado fugir do campo do Santos; estes, dentre milhares de seres humanos, onde a incerteza e a imprevisibilidade tiveram importância decisiva nas suas construções.

A Superação Emocional (SE) traz para a Inteligência Emocional (IE) e sua utilização – Competência Emocional (CE). Oferece a real probabilidade de que o imprevisível e o incerto alterem em uma fração de segundo tudo o que pensávamos estar escrito. Compreende o poder da “fé”, como eixo motivacional para expulsar o medo com a ausência da dúvida; e pede para que uma terceira via seja abastecida nas nossas cabeças, no uso dos nossos tempos: o que fazemos enquanto fazemos o que precisamos fazer?

Mas e as saídas na produtividade, na competitividade, na criatividade organizacional ou na governança de uma sociedade? Não tem saída a não ser: alterar o estado dos espíritos, superação emocional, vigor carismático e a síntese da criação: vontade + amor fecundante. Isso vira inevitavelmente: competência. E quem vai fazer? Você, um líder. Como? Perdendo o medo de liderar. Simples: brinque, só para começar. Ao brincar iniciamos as superações emocionais. E depois? Ame. As suas 10 mil células novas diárias, injetadas gratuitamente dentro da sua vida, que esperam ansiosamente por sua atenção. O seu renascer de todos os dias, a sua neurogênese, a sua criança interior eterna. O caminho parece longo, mas é curtinho, vive a milionésimos de milímetros bem aí e aqui, dentro de todos nós. Não temos tempo para perder tempo!

luis-tejon

José Luiz Tejon é publicitário, jornalista, autor e co-autor de 27 livros, como “O vôo do cisne”, “A grande virada – 50 regras de ouro para dar a volta por cima” e “Luxo for all”. É presidente da TCA Internacional, com parcerias na Europa, Estados Unidos, China e Israel. tejon@tejon.com.br

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