As três verdadeiras lições de Steve Jobs


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As três verdadeiras lições de Steve Jobs – Jacob Pétry 

Jobs tinha uma frase que repetia com frequência para sua equipe: quem não quer trabalhar aos sábados, também não precisa trabalhar aos domingos, ele dizia. Nessa frase, mais do que em seu intelecto, está a primeira lição do segredo da genialidade que ele nos deixa. Aliás, isso já não é segredo desde o século 16, quando Miguelangelo, já em idade avançada, afirmou: se as pessoas soubessem como foi duro adquirir minha maestria, não me chamariam um gênio.

Jobs, assim como todas as pessoas de desempenho extraordinário, era obcecado pelo seu trabalho. Suas dificuldades eram enormes, seus fracassos, decepções e frustrações constantes, mas sua obsessão, persistência, e força de vontade, ainda maiores.

De onde surgiram essas qualidades?

Jobs nasceu em Mountain View, Califórnia, considerado o epicentro do Vale do Silício. Ao invés de ir para a faculdade, passou grande parte do tempo assistindo palestras dos cientistas e engenheiros da Hewlett-Packard. Esses eventos abordavam os avanços mais recentes em eletrônica. Jobs, na época um menino de 17 anos, fazia qualquer coisa para participar. Não raras vezes, no final das palestras ficava horas ouvindo as conversas entre os cientistas e engenheiros para conseguir informações adicionais. Nessa atitude esta a segunda lição de Jobs: seguir os impulsos do nosso talento; ou seja: alimentar, a qualquer custo, a chama da paixão que arde em nós, ao invés de definir nosso caminho pelas normas sociais. Uma pessoa pode tornar-se competente em quase tudo, mas ela não pode se tornar um gênio, se não tiver paixão pelo que faz. Ou seja: é possível ter um emprego ou uma carreira medíocre, mas é impossível ser medíocre quando agimos com paixão.

A terceira lição de Jobs é o fim do mito do gênio solitário, a crença de que gênio é uma pessoa isolada, com super poderes, salvando o mundo com força própria. A lição que Jobs nos deixa é de que as grandes invenções são sempre o resultado de redes de pessoas trabalhando em colaboração, em diferentes estágios, durante anos. De quem foi, por exemplo, a ideia da Pixar? De George Lucas. E os responsáveis pela tecnologia da Pixar? Ed Catmull e John Lasseter. Qual foi a participação de Jobs no processo? Ele foi o maestro. Juntou um grupo de pessoas isoladas, mas que dependiam umas da outras, e as colocou em ordem, como se estivesse montando um grande quebra-cabeça.

O mesmo aconteceu na Apple. Logo após seu retorno, o sucesso que colocou a empresa de volta a liderança no setor de eletrônicos foi o iPod, lançado em setembro de 2001. De quem foi a ideia do iPod? De Tony Fadell, um fornecedor independente e especialista em hardware. Fadell procurou a Apple para discutir o projeto de um tocador de MP3 e Jobs abraçou a ideia. Contratou Fadell e juntos desenvolveram o projeto que resultou no iPod. Com base no iPod, Jobs teve a ideia do iPhone, mas foi Jonathan Ive, designer da Apple, quem o criou. Jonathan também teve participação fundamental em outras invenções associadas a Jobs, como o iPod e o iPad.

Essa ideia, de que as grandes invenções tecnológicas e inovações científicas e culturais são descobertas de equipe também não é nova. Thomas Edison trabalhava ao lado de trinta assistentes. A maioria cientistas renomados que trabalhavam catorze a dezesseis horas por dia, seis ou sete dias por semana, durante anos. Em outras palavras, pessoas como Jobs e Edison são muito mais maestros que conduzem as experiências que levam a descobertas e à criação de coisas grandiosas do que descobridores em si. Por fim, a morte de Jobs deixou um vácuo enorme, mas, se formos capazes de assimilar as lições que ele nos deixa, os benefícios poderão amenizar consideravelmente sua ausência.

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Jacob Pétry é filósofo dedicado ao estudo da psicologia cognitiva. É autor de sete livros, entre eles O Óbvio que Ignoramos, Ninguém Enriquece por Acaso e A Lei do Sucesso. Ele é brasileiro radicado nos Estados Unidos. 

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