O problema de quase todas as empresas


O que falta nas empresas é conhecimento financeiro, entendimento de como funcionam os bancos, da dinâmica de capital de giro, das informações que podem ser extraídas da contabilidade

Meus amigos sabem que grande parte da informação que hoje divido com meus leitores não foi aprendida diante de um quadro negro ou das páginas de livros. Eu mesmo me surpreendo ao perceber que aprendi muita coisa na prática, como consultor financeiro de grandes empresas. Surpreendo-me não por ter aprendido na prática, mas sim por ter tido a oportunidade da prática antes de mesmo ter adquirido os títulos acadêmicos ou certificações que a justificariam.

Tornei-me consultor financeiro simplesmente por ter facilidade com números – algo em que meus anos de estudos em engenharia valeram a pena – e por ter tido bons orientadores para meus trabalhos. À medida que fui aprofundando meus conhecimentos, adquirindo títulos e diplomas e entendendo muito do que eu já sabia por um novo ângulo – o acadêmico – procurei não apenas resolver os problemas financeiros das empresas, mas também entendê-los em sua essência.

Hoje, posso afirmar com segurança que a grande maioria das empresas brasileiras que são incapazes de gerar resultados satisfatórios possuem esse triste quadro por pura falta de informação. De muitas consultorias que dei, em quase todas as respostas para os problemas estavam bem debaixo dos narizes daqueles que me contratavam para “explicar” os motivos de poucos lucros. A origem dos problemas aparecia claramente nos números! Os relatórios financeiros obrigatórios das empresas fornecem a maioria das respostas de suas dificuldades financeiras, mas muitos empresários pensam que precisam de um consultor financeiro para entendê-los. Pagam para alguém lhes mastigar a informação, quando poderiam pagar muito menos por um curso de formação financeira gerencial.

Não são raros os casos. Grandes empresas reclamam de pouco poder de consumo de seus clientes, mercado fraco, mas não percebem que cresceram rápido demais, consumindo o capital de giro em um ritmo mais intenso do que a capacidade de crescimento do poder de compra da população em períodos de otimismo. Outras empresas têm como meta financeira aumentar lucros, mas sequer pensam na eficiência destes lucros; investem valores astronômicos sem pensar no retorno do investimento, mas apenas no aumento do lucro – é melhor investir 100 e lucrar 10 do que investir 200 e lucrar 11.

Muitos pequenos empresários iniciam seus negócios projetando apenas os investimentos em estoques e na capacidade de produção, mas irão perceber tarde demais que seus clientes o pagarão bem depois de ter que quitar dívidas; estas empresas mal começam suas atividades e já são vítimas de um sistema financeiro oportunista.

Grande parte dos problemas financeiros exemplificados pode ser evitada. O que falta é conhecimento financeiro, entendimento de como funcionam os bancos, da dinâmica de capital de giro, das informações que podem ser extraídas da contabilidade da empresa. Muitos sequer levam a contabilidade a sério, simplesmente a delegam a contadores externos que mal conhecem a natureza da atividade da empresa e que fazem relatórios que nunca serão usados para tomadas de decisões empresariais.

Esse é o erro! É preciso conhecer os números, saber explorá-los, entender quando é a hora de investir no crescimento e quando é hora de esperar. Muitas vezes é melhor perder alguns clientes hoje do que perder a empresa toda amanhã. Invista em conhecimento financeiro. Não gosta? Não se dá bem com números? Lamento dizer: se você não souber lidar com dinheiro jamais será bem-sucedido. Não importa o tamanho da empresa, desde um pequeno carrinho de cachorro-quente até uma grande empresa familiar. Seu negócio apenas terá sucesso se você entender dos números.

O Brasil sempre foi e por muitas décadas ainda será uma terra de oportunidades, de crescimento, em que se plantando tudo dá. Poucas empresas brasileiras têm problemas comerciais, pois o vendedor brasileiro é habilidoso. Poucas empresas brasileiras têm problemas fiscais, pois o empresário brasileiro é, digamos, criativo. Mas os problemas surgem quando os recursos são mal administrados.

Quase todas as empresas brasileiras sofrem com a falta de conhecimento financeiro de seus gestores, vítimas de uma educação inadequada aos problemas sociais brasileiros. Se o grande problema brasileiro é desigualdade social, por que não se ensina sobre a riqueza nas escolas? Por que não ensinamos cada brasileiro a construir seu projeto de enriquecimento, a se tornar um empresário com domínio financeiro de seus negócios? Será que é interessante incluir enriquecimento na pauta da educação e “dividir o bolo”?

Lute por um Brasil mais rico, comece sua luta aprendendo mais sobre finanças. Seja seu próprio consultor financeiro e cresça com solidez. A sociedade agradece.

Gustavo Cerbasi é consultor financeiro e autor de Casais Inteligentes Enriquecem Juntos (Ed. Gente), Como Organizar sua Vida Financeira (Elsevier Campus) e Os Segredos dos Casais Inteligentes (Ed. Sextante). Acesse os perfis no Twitter e Facebook.

Publicado originalmente no site http://www.maisdinheiro.com.br

Artigo protegido por direitos autorais. Reprodução autorizada desde que citada a fonte http://www.maisdinheiro.com.br.

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