Como gerir a construção de um legado?


por Carlos Julio

Na semana passada, o Brasil chorou o falecimento do ator Domingos Montagner, que interpretava um dos protagonistas da novela Velho Chico, da Rede Globo de Televisão.

Mas que lição deixou para nós, que seguimos a jornada?

Domingos tinha uma rica história. Nasceu no bairro do Tatuapé, na Zona Leste paulistana, numa família de origem italiana. E, como eu, começou a vida laboral no bar dos pais, um belo laboratório da sociedade.

Foi office-boy, arquivista e jogador de handebol do Corinthians. Serviu o exército e graduou-se em Educação Física. Por anos, foi professor, contribuindo para a formação integral de crianças e jovens.

Depois, reinventando-se, tornou-se um elegante palhaço, cujas pantomimas eram tão engraçadas quanto inteligentes. Logo, virou também trapezista.

Empreendedor, foi um dos criadores do grupo La Mínima, cujo objetivo era realizar uma releitura do repertório clássico do palhaço e aplicá-lo a outras linhas de expressão dramática.

Depois, participou da criação do famoso Circo Zanni, que misturava à arte circense tradicional a magia cênica do teatro, da música e da dança.

No fim da década passada, já com mais de 40 anos, o ator iniciou suas atividades no cinema e na televisão, alcançando rápido reconhecimento da crítica e do público.

Foi-se bem cedo deste mundo, aos 54 anos, levado pelo humor instável do Rio São Francisco.

Mas esta biografia não acaba assim. Em sua jornada, Montagner construiu um patrimônio, um legado, que generosamente compartilhou com sua coletividade.

Deixou amigos no seu “Coringão”, que relembram seu jeito solidário de jogar e de viver. De seu empenho de educador, permanece a memória da disciplina e da sensibilidade, repassada a seus alunos.

Das atividades no circo, mantém-se seu exemplo de dedicação na montagem de espetáculos inovadores, seu talento para transformar ideias em realidade.

Montagner efetivamente fez acontecer. Geriu sua vida para converter sonhos em obras tangíveis. Ousado, soube reinventar-se várias vezes, vivendo a formidável experiência de construir suas próprias plataformas de trabalho.

Como principal virtude, no entanto, foi capaz de sempre compartilhar seus conhecimentos e de engajar as pessoas em seus projetos.

Pessoas como ele, Ford, Jobs, Matarazzo e Morita, entre outros, desaparecem apenas fisicamente. Suas ideias e exemplos permanecem vivos, como legados de alto valor, inspirando pessoas, contribuindo para a construção de um mundo melhor.

E você, caro leitor, como está gerindo a construção do seu legado? Com que obra, pequena ou grande, vai conquistar a imortalidade? Que tal refletir sobre a missão de sua vida?

Afinal, a teoria, na prática, funciona!

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