Como melhorar a comunicação com o seu público?


Por Carlos Julio

Na newsletter da semana passada, tratei da recente pesquisa do Instituto Locomotiva sobre a flagrante desconexão entre a propaganda e significativas parcelas do público-alvo.

Só para relembrar: os depoimentos de 3 mil pessoas, coletados entre fevereiro e abril, revelam que 67% dos consumidores do país não sentem representados nos comerciais de TV.

Mas qual a relevância deste dado? Ele comprova que boa parte do investimento em publicidade é desperdiçado em um modelo de comunicação que não contempla a nova realidade brasileira.

Esmiuçando: frequentemente, o público destinatário da mensagem é o correto, ou seja, aquele para o qual os produtos e serviços foram apropriadamente desenvolvidos.

No entanto, as empresas e as agências contratadas erram a mão ao estabelecer a abordagem, constituindo universos simbólicos que parecem estranhos à maior parte dos potenciais consumidores.

Vejamos o caso das mulheres, que representam 52% da população, lideram 40% dos lares e compõem um mercado que movimenta R$ 1,57 trilhão ao ano.

Segundo o estudo, 87% declaram ter orgulho do que são, 82% afirmam apreciar produtos que melhorem a autoestima, mas apenas 7% se sentem representadas na propaganda televisiva.

Renato Meirelles, meu sócio no Instituto Locomotiva, faz o diagnóstico certeiro: “as pessoas não se sentem representadas porque a publicidade ainda reproduz estereótipos”.

Em uma época marcada pelo empoderamento feminino, muitas peças publicitárias ainda exibem mulheres idealizadas, enquadradas em modelos ultrapassados ou projetadas em perfis fantasiosos.

Também é comum o paradigma do chamado mansplaining, quando a “autoridade” masculina trata a mulher de modo condescendente e paternalista, ditando-lhe modos de ser e fazer.

Nesse tipo de discurso vicioso, muitas vezes inconsciente, o homem tenta explicar à mulher coisas das quais ela já sabe, eliminando seu protagonismo de fala.

A pesquisa mostra que falta qualidade e efetividade no diálogo das marcas (pelo menos, de muitas delas) com a sociedade. Pior: se a comunicação é ruim, é evidente que parte da produção seja ainda definida por critérios caducos.

Meu outro sócio no Locomotiva, Marcelo Tas, oferece a boa dica: “as empresas precisam entender essa insatisfação e melhorar seus produtos com o melhor olhar que existe, o do consumidor”.

Este é um ponto de especial importância nessa avaliação. Revela que, na raiz desse desentendimento, há uma concepção equivocada do consumidor e dos produtos e serviços por ele demandados.

Nesse sistema dissonante, muitas empresas atendem mal o mercado, vendem menos, crescem pouco e, no resumo da ópera, contribuem para o atraso do desenvolvimento econômico.

Quer manter magrinha sua carteira de clientes? Continue comunicando a partir dos conceitos que você mesmo formou sobre eles.

Quer realmente conquistar admiração, estabelecer parceiras duradouras e experimentar o crescimento compartilhado? Ouça as pessoas, respeite-as, reforme seu discurso e refaça seu arsenal simbólico.

Comunique-se exercitando a empatia.

Afinal, a teoria, na prática, funciona!

 

Fonte:

http://www.carlosjulio.com.br/magiadagestao/como-melhorar-comunicacao-com-seu-publico/

 

 

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